Que a forca do medo que tenho nao me impeca de ver o que anseio Que a morte de tudo que acredito nao me tape os ouvidos e a boca Porque metade de mim e o que eu grito, mas a outra metade e silencio
Que a musica que eu ouco ao longe seja linda, ainda que triste Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante Porque metade de mim e partida e a outra metade e saudade
Que as palavras que eu falo nao sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor Apenas respeitadas como a unica coisa que resta a um homem inundado de sentimento Porque metade de mim e o que eu ouco, mas a outra metade e o que calo
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereco Que essa tensao que me corroi por dentro seja um dia recompensada Porque metade de mim e o que eu penso e a outra metade e um vulcao
Que o medo da solidao se afaste e o convivio comigo mesmo se torne ao menos suportavel Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infancia Porque metade de mim e a lembranca do que fui, a outra metade eu nao sei...
Que nao seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espirito e que o teu silencio me fale cada vez mais Porque metade de mim e abrigo, mas a outra metade e cansaco
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela nao saiba e que ninguem a tente complicar porque e preciso simplicidade para faze-la florescer Porque metade de mim e a plateia e a outra metade, a cancao
E que minha loucura seja perdoada Porque metade de mim e amor e a outra metade... tambem
Oswaldo Montenegro
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Vida, amigos, net... sei la... tanta coisa
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A vida e bela, O Carteiro de Pablo Neruda, O clube dos poetas mortos, O Gladiador e todos dentro desta linha
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Nao ha longe nem distancia, Fernao Capelo Gaivota, O Principezinho e O Livro dos Espiritos
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E de novo acredito que nada do que e importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Nao perdi nada, apenas a ilusao de que tudo podia ser meu para sempre. - Miguel Sousa Tavares (Escritor e jornalista portugues, a proposito da perda de sua mae, a escritora e poetisa Sophia de Mello-Breyner)